Modelo criticado por sua aparência reaparece no mercado por R$ 116 mil

Conhecido por muitos como o carro mais feio do mundo, o peculiar Fiat Multipla voltou a ser destaque após surgir à venda na Rússia por um preço que chama a atenção até dos mais atentos ao mercado internacional.

O monovolume italiano, famoso por seu design controverso e soluções internas ousadas, está sendo anunciado em Moscou por 1,75 milhão de rublos, o equivalente a cerca de R$ 116 mil em conversão direta.

O valor, similar ao de um SUV compacto novo no Brasil, levanta questionamentos: será um exagero ou um reconhecimento tardio de um modelo à frente de seu tempo?

Um ícone do design polêmico que se tornou peça de coleção

Fiat Multipla (Foto: Divulgação)

Lançado globalmente em 1998, o Multipla ganhou rapidamente a reputação de um dos carros mais feios do mundo.

Seu visual com um “degrau” entre o capô e o para-brisa e os faróis posicionados em níveis diferentes desafiaram os padrões estéticos tradicionais e dividiram opiniões de forma quase unânime.

O modelo anunciado na Rússia é do ano de 1999 e possui uma pintura vermelho-cereja chamativa, combinada com um interior azul, reforçando sua personalidade única.

Apesar dos 27 anos de uso, o veículo tem cerca de 130 mil quilômetros rodados, o que é considerado moderado para sua idade.

O proprietário afirma que a manutenção é relativamente simples, com peças acessíveis e compatibilidade mecânica com outros modelos da marca italiana.

Mecânica simples e desempenho modesto

Apesar do visual excêntrico, o Multipla possui uma configuração mecânica convencional. O carro é equipado com um motor 1.6 a gasolina, capaz de gerar 103 cavalos de potência, associado a um câmbio manual de cinco marchas.

O desempenho não é esportivo: a aceleração de 0 a 100 km/h acontece em cerca de 13,5 segundos, com uma velocidade máxima de 168 km/h.

O consumo urbano é de aproximadamente 8,7 km/l, números típicos de veículos do final dos anos 1990.

O valor atual do carro não está relacionado ao seu desempenho, mas sim à sua história e proposta inovadora.

Engenharia de espaço: o verdadeiro destaque do Multipla

Enquanto o design gera debates, a engenharia de aproveitamento interno é considerada genial. Mesmo sendo compacto, com apenas quatro metros de comprimento, o Multipla oferece seis assentos individuais, distribuídos em duas fileiras com três lugares cada.

Essa solução permitia acomodar seis adultos com certo conforto, além de manter um porta-malas funcional. Essa versatilidade fez com que o modelo se tornasse uma referência de monovolume compacto, especialmente na Europa.

Produzido até 2010, o veículo cativou uma base fiel de fãs que valorizam a funcionalidade acima da estética convencional.

Preço inflacionado ou valorização histórica?

O preço anunciado na Rússia pode parecer alto, mas modelos com identidade forte muitas vezes se tornam peças de coleção ao longo do tempo. A raridade do carro no mercado local e seu renome internacional contribuem para o valor diferenciado.

Em 2022, a própria Fiat considerou a possibilidade de trazer de volta o nome Multipla em um futuro crossover elétrico, porém o projeto não avançou oficialmente.

O ‘carro mais feio do mundo’ é realmente um erro de mercado?

Foto: Reprodução

O tempo costuma revisar conceitos. O que costumava ser considerado um exagero visual pode hoje ser visto como uma ousadia criativa.

O Multipla representa uma época em que a indústria automotiva priorizava funcionalidade, modularidade e inovação estrutural, mesmo que isso significasse sacrificar a harmonia estética.

Se vale os R$ 116 mil? A resposta depende da perspectiva. Para alguns, é apenas um carro antigo com design questionável.

Para outros, é um símbolo de criatividade automotiva que desafiou convenções, e, por isso mesmo, permanece inesquecível.