O mercado automotivo brasileiro está passando por um momento de contrastes significativos. Enquanto os números de licenciamentos indicam uma recuperação, com um fechamento positivo em 2025, os dados sobre a idade dos veículos em circulação acendem um alerta: os brasileiros estão demorando cada vez mais para trocar de carro, resultando em uma frota cada vez mais envelhecida.
Mercado automotivo: vendas sobem, mas frota brasileira é a mais velha em uma década
De acordo com dados recentes, o mercado encerrou o último ano com uma alta de 2,1%, totalizando 2,69 milhões de unidades vendidas. O impulso adicional veio de um dezembro histórico, impulsionado por programas governamentais de sustentabilidade e grandes renovações de frotas por locadoras.
A Fenabrave projeta que 2026 será um ano de expansão em todos os nichos, com destaque para o transporte de carga. Confira as metas:
- Carros e Leves: Alta prevista de 3% (2,63 milhões de unidades).
- Caminhões: Liderança no crescimento com 3,5% de avanço.
- Ônibus: Expansão estimada em 3%.
O X da Questão: Por que a frota envelheceu?
Apesar do crescimento nas vendas, a idade média dos veículos no Brasil saltou para quase 11 anos. Em comparação, em 2015, quase 40% da frota era composta por carros “jovens” (até 5 anos); hoje, esse número caiu para apenas 22,3%.
Os principais motivos para os brasileiros segurarem os carros antigos na garagem incluem:
- Preços Proibitivos: O custo do carro 0km aumentou devido a impostos e câmbio.
- Crédito Caro: Juros elevados tornam o financiamento um desafio para a classe média.
- Renda Estagnada: O poder de compra ainda não acompanha a valorização dos automóveis.
Riscos e Reflexos no Dia a Dia
Um carro com mais de 16 anos – categoria que hoje representa quase 24% da frota – traz impactos diretos para a sociedade:
- Segurança: Veículos antigos carecem de tecnologias modernas e sofrem com o desgaste de componentes críticos.
- Poluição: Modelos defasados emitem mais poluentes que os motores atuais.
- Mercado de Usados: Modelos como Gol e Palio continuam valorizados, sendo a única alternativa para quem precisa de mobilidade, mas não consegue comprar um carro novo.
Enquanto as motos mostram um leve rejuvenescimento e os veículos elétricos crescem rapidamente, o grosso da frota brasileira continua envelhecendo, destacando a necessidade de políticas que facilitem a renovação e a segurança viária.
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